quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O Conto de Natal dos Muppets / The Muppet Christmas Carol (1992)



O longa-metragem O Conto de Natal dos Muppets / The Muppet Christmas Carol (1992)  é baseado no romance Um Conto de Natal, escrito por Charles Dickens em 1843. Como fã exigente dos Muppets posso afirmar que esse é um dos melhores filmes produzidos pela equipe de Jim Henson. Evidentemente algumas modificações foram necessárias para que os principais personagens da trupe de bonecos não ficasse fora dessa história. Infelizmente não foi exibido nos cinemas brasileiros em 1992 e tornou-se mais conhecido após o lançamento em home vídeo em 2005. Para mim Os Muppets conquistaram uma legião de fãs na televisão, que prestigiaram as aventuras dos bonecos no cinema! Os 120 episódios do programa Muppet Show sempre foram campeões de audiência na TV da minha casa entre 1976 e 1981.




O narrador da história do filme O Natal dos Muppets é Charles Dickens (Gonzo), sempre acompanhado pelo amigo Rato (Rizzo) que representou os questionamentos do público infantil. Assim como no romance original, o personagem principal é Ebenezer Scrooge, interpretado magistralmente pelo ator britânico Michael Caine. A época do Natal é irritante para o velho Scrooge, que é muito rico, porém avarento e mesquinho. Ele é o único proprietário vivo do lucrativo escritório localizado no centro de Londres, visto que seus sócios Jacob Marley (Statler) e Robert Marley (Waldorf) estavam mortos há 7 anos. Seu principal funcionário era Bob Cratchit (Caco ou se preferir Kermit), um sapo trabalhador, que nunca faltou ao trabalho. Ele era casado com a Senhora Cratchit (Miss Piggy) com quem teve 4 filhos, porém o caçula Tim (Robin) possuía vários problemas de saúde. Na tarde da véspera de Natal o senhor Scrooge trabalhou, contou cada centavo de seu dinheiro e reclamou por ter que pagar o dia 25 de dezembro aos seus faltosos funcionários.




Na tarde da véspera do Natal Scrooge recebeu a visita dos fantasmas de seus ex-sócios Jacob e Robert. Eles apareceram para dizer que não encontraram a paz após a morte porque não foram bondosos e caridosos em vida. Posteriormente avisaram Scrooge que ele seria visitado por três espíritos naquela noite. Mesmo amedrontado o velho avarento acredita que teve apenas uma alucinação com os ex-sócios e que o Natal mais uma vez passaria em branco em sua vida. Logo no início da madrugada apareceu o fantasma do Natal Passado que levou Scrooge para o tempo em que ele era jovem e trabalhava com o senhor Fozziwig (Urso Fozzie), um homem bom e alegre que gostava de música e dança. Depois surgiu o fantasma do Natal Presente e Scrooge pode ver a simplicidade da ceia de Natal da família de Bob Cratchit, mas que mesmo assim rezavam e agradeciam pelo pouco que tinham. Finalmente o Fantasma do Natal Futuro rompeu o silêncio da madrugada para mostrar que o futuro seria sombrio para Scrooge se ele não modificasse seu modo de agir e de pensar.




A história de Charles Dickens criticou o materialismo inglês do século XIX e a perda de valores como caridade, fraternidade e generosidade das pessoas. O personagem Scrooge migrou durante o longa-metragem para a redenção e a torcida de todo o público é para que ele se transforme em alguém melhor. O Natal dos Muppets tem como objetivo ensinar as crianças e relembrar os adultos que Natal é tempo de confraternização e amor entre as pessoas. Para isso a equipe dos Muppets inseriu uma grande quantidade de personagens na tela que enchem nossos olhos. A direção de Brian Henson, filho de Jim Henson é muito boa. Aliás esse foi o primeiro longa-metragem da franquia Muppets realizado após a morte de Jim que ocorreu em 1990. O Conto de Natal dos Muppets é baseado numa história clássica de Natal, repleto de belas canções no estilo Muppet Show e que certamente estimulará o sonho e a magia de crianças e adultos.



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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Férias Frustradas de Natal / Christmas Vacation (1989)





Férias Frustradas de Natal / Christmas Vacation (1989) é um longa-metragem dirigido por Jeremiah Chechik e roteirizado pelo genial John Hughes. Faz parte da franquia originada por Férias Frustradas (1983) tendo como ponto forte o humor. Mesmo assim o filme consegue criar momentos de nostalgia graças a trilha sonora muito bem escolhida e a competente construção de uma atmosfera natalina. O personagem central é Clark Griswold (Chevy Chase) que é um homem que valoriza a família. Prova disso é que fez questão de trocar uma viagem com sua mulher Ellen (Beverly D'Angelo) e seus filhos Audrey (Juliette Lewis) e Rusty (Johnny Galecki) para o Havaí para reunir vários membros da família na época do Natal em sua casa. Para iniciar a celebração da data, os quatro membros da família viajam para encontrar a Árvore de Natal da família Griswold, mas fica claro que os filhos estavam achando tudo aquilo muito chato. Foi interessante perceber que pela escolha de Clark foi possível dimensionar o tamanho da sua empolgação.




No dia 13 de dezembro a árvore de Natal já estava enfeitada na principal sala da casa e os hóspedes começaram a chegar. Os pais do anfitrião, Clark (John Randolph) e Nora (Diane Ladd) chegaram discutindo sobre as vagas na garagem com os pais de Ellen, Arthur (E.G. Marshall) e Francis (Doris Roberts). Embora os membros da família tenham suas diferenças, Clark deixa claro que a confraternização da família é o seu objetivo principal. O desejo de união familiar é tão grande que ele aguarda ansiosamente o bônus de final de ano da empresa para complementar os US$ 7.500,00 que ele gastou para fechar o contrato para a construção de uma piscina no quintal da casa. O empolgadíssimo Clark e seu filho Rusty, sofreram muito para instalar 25.000 lâmpadas na parte externa da casa. Porém como em toda a família, as críticas sempre aparecem quando os resultados não saem conforme planejado inicialmente e o estresse natalino aparece.




Mesmo que a maioria das pessoas não fizessem questão de entrar no clima natalino, Clark mantinha seu objetivo de confraternizar com muito amor e paz. Nesse momento surgiu um dos momentos mais emblemáticos e emocionantes do longa-metragem. Clark foi esconder alguns presentes no sótão e acabou preso. Sem querer encontrou um projetor de Super 8 e um filme caseiro intitulado Natal de 1955. A cena é emocionante porque ao som da música That Spirit of Christmas, interpretado por Ray Charles, fica evidente que a empolgação de Clark existia para tentar recuperar aquele antigo espírito natalino da infância. Afinal de contas, quem não tem saudades dos Natais passados? No aguardo de outros convidados, a família Griswold se surpreendeu com a chegada inesperada de Eddie (Randy Quaid), o irmão irresponsável de Clark, num trailer velho. Estava acompanhado da esposa Catherine (Mirian Flynn), seus filhos Rocky (Cody Burger) e Ruby Sue (Ellen Hamilton Latzen) e do cachorro Muco.




Para completar a lista com 10 hóspedes na casa de Clark e Ellen, chegaram os maluquinhos tio Lewis (William Hickey) e tia Bethany (Mae Questel), que trouxeram por engano o gato de estimação embrulhado numa caixa de presente. Esse período não foi nada fácil para a família Griswold porque as situações de descontrole na véspera de Natal foram inacreditáveis. Um cachorro descontrolado, uma gato curioso, uma cozinheira inexperiente, um animal selvagem, uma família completamente desajustada e até a polícia completam o cenário de caos natalino total. Assim o longa-metragem consegue o mérito de fazer a plateia sorrir e também se emocionar. Clark Griswold é um personagem apaixonante porque mesmo com tanta confusão consegue buscar a essência da família que se confraterniza no Natal. 




Férias Frustradas de Natal é aquele filme que as famílias assistem todos os finais de ano, para que jamais esqueçam que mesmo não sendo perfeitas, precisam se reunir para agradecer as bênçãos e celebrar a vida.  



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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O Expresso Polar / The Polar Express (2004)




O Expresso Polar / The Polar Express (2004) é uma animação que resgata a magia do Natal no cinema e que encanta as crianças de todas as idades. A leveza da trilha sonora de Alan Silvestri, com o tilintar dos guizos é simplesmente apaixonante. Os cenários deslumbrantes são exatamente como todos nós imaginamos em algum momento de nossas vidas. A história é baseada no romance natalino do premiado escritor e ilustrador Chris Van Allsburg, responsável por obras literárias como Jumanji e Zhatura, que também foram adaptadas para o cinema. Graças ao pioneirismo do diretor Robert Zemeckis, O Expresso Polar foi o primeiro filme da história do cinema a utilizar a captura digital dos atores em todas as cenas. O lamentável é que atualmente muitas pessoas criticam o longa, porque afirmam que os humanos da história são muito artificiais. Obviamente a tecnologia envelheceu, porque já se passaram mais de 10 anos, mas acredito que o mais importante é a magia da história. Quando eu assisti ao filme no cinema, encantei-me pela emoção do clima natalino e não somente pela tecnologia empregada.



Expresso Polar conta a história de um menino triste, que não acreditava na magia do Natal, porque achava que Papai Noel não existia. Sua descrença se justificava porque o personagem principal do Natal, se apresentava das mais variadas formas, em todos os estabelecimentos comerciais da cidade onde ele morava. Para o menino, Papai Noel possuía um algo mais que ele não encontrava em lugar algum. O menino era tão frustrado, que disse para sua irmã mais nova, que não seria necessário deixar leite com biscoitos para agradar ao bom velhinho. Na noite da véspera de Natal, sua expectativa era nula e ele foi dormir aborrecido. Mas a magia do Natal estava no ar e ele foi acordado minutos antes da meia-noite, por um tremor seguido de um barulho. Em frente a sua casa surgiu uma enorme locomotiva a vapor 284-S3 de 1931, com vagões pretos marcados com a inscrição Expresso Polar nas laterais. Um simpático e bondoso condutor (Tom Hanks) saiu do vagão e convidou o menino para embarcar rumo ao Polo Norte. Inicialmente o ressabiado menino recusou o convite, mas quando percebeu que haviam outras crianças no vagão do trem, embarcou na aventura. Foi quando o condutor disse para o menino: “Às vezes, o que existe de mais real no mundo, é aquilo que não podemos ver.”  



Durante a viagem do Expresso Polar para o Polo Norte, o menino fez amizade com uma menina muito decidida e um menino pobre e desiludido com o Natal. Entre as inúmeras aventuras no trem, o menino conheceu um fantasma que viajava como clandestino no teto dos vagões, observou a Aurora Boreal e sentiu o frio na barriga quando o trem derrapou nas finas geleiras tentando reencontrar os trilhos. Num dos vagões eles encontraram muitos brinquedos quebrados e o condutor contou que eles todos seriam entregues aos elfos, para que fossem reciclados. Porém um dos bonecos era do personagem Ebenezer Scrooge, do romance Um Conto de Natal (1843) de Charles Dickens. O boneco olhou para o menino e enfezado disse: “Descrente!” Quando finalmente O Expresso Polar chegou ao Polo Norte, na cidade onde morava o Papai Noel, as crianças se impressionaram com a beleza do lugar. Além disso, ficaram maravilhados com as centenas de elfos, que ajudavam o bom velhinho e que circulavam por toda a parte. Conheceram a sala de controle da fábrica de brinquedos, a linha de produção e também o setor de expedição dos brinquedos natalinos. Porém as crianças estavam ansiosas par ver o verdadeiro Papai Noel, que provavelmente apareceria na praça central, ao lado da imensa árvore, para presentear uma criança na multidão com o primeiro presente do Natal.



Todos acompanharam a chegada do enorme saco de presentes do bom velhinho na praça central. As renas voadoras já estavam prontas no trenó, aguardando a chegada do personagem principal da festa. As crianças e as centenas de elfos aplaudiram e gritaram, quando finalmente o Papai Noel apareceu. O menino ficou encantado, porque conheceu o verdadeiro Papai Noel. Aquele momento foi transformador em sua vida e ele disse: “Eu creio!” No meio da multidão, o bom velhinho conversava com as crianças e procurava aquela que receberia o primeiro presente do Natal de suas mãos. Então ele olhou para o empolgado menino e perguntou o que ele queria ganhar de presente. A escolha de seu presente foi emocionante e singela! Então o relógio da torre bateu meia-noite e Papai Noel voou em seu trenó, com suas renas voadoras, para entregar os presentes para as crianças de todo o mundo. Foi quando o condutor avisou as crianças que era a hora do Expresso Polar partir! Quando chegou em casa, o menino passou a acreditar em Papai Noel e no espírito natalino. Abriu seus presentes ao lado de sua irmã e prometeu para si mesmo que guardaria para sempre, o presente especial que ganhou das mãos do verdadeiro Papai Noel. Assim ele manteria a magia do Natal para sempre, através de valores como aprendizado, confiança, liderança e crença. Assista o longa-metragem que é emocionante e descubra qual era o presente especial, que o menino ganhou do verdadeiro Papai Noel. 


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sábado, 29 de novembro de 2014

*_* Drops - Um Conto de Natal de Charles Dickens

 



O romance intitulado Um Conto de Natal (Christmas Carol) foi escrito pelo escritor inglês Charles Dickens (1812 – 1870) e publicado em 19 de dezembro de 1843. Criador de personagens famosos como Oliver Twist e David Copperfield, Dickens considerava o romance como um simples livrinho de Natal. 




Porém a história tornou-se um sucesso, atingindo a marca de mais de 6.000 exemplares vendidos em apenas uma semana após o lançamento. O personagem Ebenezer Scrooge, representa uma crítica de Dickens ao mundo cada vez mais industrializado da época, que já esquecia o verdadeiro Espírito do Natal. 




No romance Scrooge é um homem avarento, que odeia as comemorações natalinas. Na noite da véspera do Natal ele recebe a visita do fantasma do ex-sócio Marley, que alerta que o sofrimento do lado de lá é enorme para as pessoas que não foram caridosas e bondosas. 




Além disso, avisou que Scrooge receberia a visita de três fantasmas a cada badalada de hora cheia. A história tornou-se um clássico da literatura mundial e já teve inúmeras adaptações e homenagens no cinema.



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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Amor Sem Escalas / Up in the Air (2009)



Inicialmente quero deixar claro que a tradução em português do título do longa-metragem foi horrível. Amor Sem Escalas (2009) induz o público a pensar que se trata de uma comédia romântica, quando na realidade é um drama que trata de temas como desemprego, família e amor. O título original do filme é Up in the Air. O competente diretor Jason Reitman trouxe mais uma vez para as telas do cinema uma série de conflitos emocionais, assim como em Juno (2008) e Obrigado Por Fumar (2006), também dirigidos por ele. Dos três filmes, Amor Sem Escalas foi o que mais me surpreendeu porque nos apresenta a vida de Ryan Bingham (George Clooney), um profissional especializado em demitir pessoas. A empresa para a qual ele trabalha, enxergou na crise financeira norte-americana uma forma de alavancar os lucros, terceirizando a demissão das pessoas. Na prática eles fazem o serviço que ninguém está disposto a fazer. Seu chefe Craig Gregory (Jason Bateman) afirmou: “A economia está ruim e isso é ótimo pra gente!” Assim Ryan viaja por todas as regiões do país demitindo as pessoas, olhando nos olhos delas, tentando convencê-las de que aquele momento não é o fim de uma carreira, mas o início de uma fase de transformação.





Como o filme aborda o tema demissão por vários ângulos, o longa-metragem é recomendado para estudantes de Administração de Empresas e de Recursos Humanos. Ryan Bingham seguia tranquilo como membro da equipe de profissionais especializados em demitir pessoas, sonhando em ser o 7º passageiro do mundo a completar 10 milhões de milhas aéreas, até que foi informado que suas viagens seriam canceladas num futuro próximo. A alta direção da organização decidiu que a melhor forma de diminuir os custos organizacionais seria demitir as pessoas através de videoconferência. Para implantar o projeto foi contratada a jovem e arrogante Natalie Keener (Anna Kendrick) que era a idealizadora da ideia. Ryan contestou imediatamente seu chefe dizendo que o ato de demitir uma pessoa exige a presença de alguém pessoalmente na sala e que executar esse trabalho por computador seria irresponsável e desumano. Inseguro na tomada da decisão naquele momento, Craig decidiu que Ryan e Natalie viajariam juntos para troca de experiências.






O convívio profissional entre duas pessoas tão diferentes poderia trazer consequências inimagináveis. Ryan Bingham era um homem maduro, pragmático e solitário. Natalie Keener era uma mulher imatura, romântica e noiva. Esse ciclo de viagens profissionais certamente mudaria a vida deles para sempre. Destaco que as imagens aéreas da viagem são lindas! Numa das escalas, Ryan está muito animado porque reencontrará a bela executiva Alex Goran (Vera Farmiga), com quem mantém uma relação ocasional sem compromisso. Porém quando esse trio se encontra, Natalie está chorando nos braços de Ryan e Alex fica incomodada. Eles vão para o bar do hotel e o trio passa a conversar sobre relacionamentos, família, futuro. Surge entre eles uma sinergia muito grande e aquele final de semana mudará a vida pessoal dos três executivos para sempre.





Na semana seguinte Natalie retorna para reformular o seu projeto de demissão por videoconferência e Ryan convida Alex para ser sua acompanhante no casamento de sua irmã. Durante o final de semana a executiva descobriu que Ryan é praticamente um estranho na família porque passa meses sem telefonar. Após a festa o casal se separa e Ryan volta para a organização. Craig finalmente decidirá se o projeto de demissão das pessoas será executado pessoalmente ou por videoconferência. Para isso será importante lembrar que as pessoas demitidas são seres humanos. Natalie terá que repensar se o seu projeto de demissão virtual é realmente eficiente. O apaixonado Ryan terá que decidir se irá se casar com Alex. Porém a vida cobra atitudes das pessoas, que muitas vezes se omitem e dessa forma as decisões poderão chegar tarde demais. 


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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Um Convidado Bem Trapalhão / The Party (1968)



Quando o filme Um Convidado Bem Trapalhão / The Party (1968) foi lançado eu ainda não tinha nascido. Meus pais assistiram no cinema e me contaram que a plateia ria do começo ao fim. Muitos anos depois eu tive a oportunidade de assistir Um Convidado Bem Trapalhão numa mostra de cinema dos grandes mestres da comédia. Eu também dei muita risada com essa comédia simples e inteligente. O produtor do longa-metragem foi Blake Edwards, responsável pela produção da franquia A Pantera Cor-de-Rosa no cinema (1963 – 1982). A trilha sonora era de responsabilidade do maestro Henry Mancini, que criou o tema do filme A Pantera Cor-de-Rosa em 1963. O ator principal era Peter Sellers, um ator genial que transitava entre drama e comédia com maestria. Nos bastidores do cinema comenta-se que os grandes atores de comédia costumam dar um show de interpretação em dramas. Jim Carrey e Ben Stiller são provas disso após suas interpretações em O Show de Truman (1998) e A Vida Secreta de Walter Mitty (2013), onde Ben Stiller prestou uma homenagem a Peter Sellers quando mostrou a capa da Revista Life que trazia o rosto do ator na capa.






O longa-metragem Um Convidado Bem Trapalhão traz a história de um ator indiano chamado Hrundi V. Bakshi (Peter Sellers). O sonho dele era participar de filmes de Hollywood, mas ele acabou criando inúmeros problemas no set de filmagem. Infelizmente ele era muito atrapalhado e mesmo com uma enorme boa vontade, destruiu um castelo cenográfico, gerando um prejuízo gigantesco para o estúdio. Acredite que essa sequência inicial dele no set de filmagem já vale o ingresso! Obviamente ele foi demitido pelo furioso diretor do filme, que entrou em contato com o Diretor Executivo do estúdio Fred Clutterbuck (J. Edward McKinley), para pedir a demissão do ator pelo prejuízo. Furioso ele anotou o nome de Hrundi V. Bakshi e afirmou que ele seria demitido imediatamente. Porém um engano mudaria o destino do personagem principal da história. O nome de Hrundi foi anotado numa lista de convidados de uma festa da esposa do chefão, a senhora Alice Clutterbuck (Fay McKenzie). Quando a secretária entrou e perguntou sobre a lista de convidados, nervoso ele respondeu que estava em cima da mesa.






Hrundi V. Bakshi ficou muito feliz quando recebeu o convite para a festa de gala na casa do Diretor Executivo do estúdio. Os elegantes convidados trajavam smoking ou belos vestidos longos. Hrundi chegou todo satisfeito com seu terno claro, meia vermelha e sapatos brancos! Todos se perguntavam quem era aquele convidado, mas ninguém sabia responder. Sua curiosidade criou inúmeras situações hilárias. São tantas situações engraçadas que vou deixar a surpresa para você, porém destaco a cena em que Hrundi vai até a suíte do casal. A cena é hilária e eu chorei de tanto rir. Uma curiosidade sobre essa cena do banheiro é que ela serviu de inspiração para Ben Stiller no filme Quero Ficar com Polly (2004). Durante a festa Hrundi foi se aproximando da bela atriz novata Michele Monet (Claudine Longet) e um romance poético e puro nasceu desse encontro. Outro destaque do longa-metragem é o ator Steve Franken que interpretou o personagem Levinson, o garçom que durante a festa vai ficando cada vez mais bêbado. A performance do ator foi tão competente que seu personagem é tão lembrado quando o protagonista.






Para desespero da anfitriã Alice Clutterbuck, sua filha hippie chegou com um grupo enorme de amigos. Completamente alternativos acabam quebrando as regras da festa de gala e tudo começa a fugir do controle. A recepção segue e anfitriões, convidados, banda, empregados e os penetras se misturavam num caos inimaginável. As situações eram completamente nonsense e mostravam claramente como era a atmosfera dos jovens rebeldes do final da década de 60. Em clima de paz e amor eles trouxeram até um elefante para dentro da casa. A trilha sonora colabora para a imersão da plateia na cultura hippie. O filme tinha um roteiro bem solto, mas ficava claro que havia uma crítica ácida referente aos bastidores de Hollywood. Dessa forma o longa-metragem nos presenteou com um Peter Sellers descontraído e que improvisou em quase todas as cenas. Um Convidado Bem Trapalhão entrou para a história do cinema como um dos melhores trabalhos de comédia do ator e está classificado entre os cinco melhores filmes de sua carreira.



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